Erva daninha
não se pode dizer que uma erva daninha seja fraca, ou insignificante. Nem ao menos podemos chamá-la de discreta. Ela nasce e quando menos se espera se alastra como peste, mato, espontânea, autoritária e selvagem.
Sanguinária, toma o vasto, o campo, o espaço que for. Coloniza. Ela existe e não pede licença. Algumas, inclusive, fingem status, lembram orquídeas raras, e até antúrios, mas continuam ordinárias. Outras se põem eloquentes e apresentam cores fortes, mas o perfume é de estrume, e logo se apresentam extremamente inconvenientes. Um jardineiro, tal como Hércules, passa uma vida inteira tentando extraí-las, e como num looping eterno, jamais finaliza o trabalho inglório, pois são vertiginosas e rasteiras nossas anti-heroínas.
Mas, quando a escuridão cai, e o perigo não assombra, podem refletir solitárias: quem teria sido a primeira pessoa que definiu as castas vegetais? Aquela que determinou: você é pasto e você é a mais singular flor do abismo?
Contudo, pela manhã, voltam a ser quem são: apenas plantas indesejáveis
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