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espectros

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  diz-se que lugares bagunçados atraem fantasmas: festa animada dos mortos em meio a faxina procrastinada. É possível ouvi-los tomando o resto do café de ontem, lambendo a colher do brigadeiro azedo, dançando com os vestidos jogados no sofá, ironizando a biografia do Stephen King largada no chão do quarto, se esfregando na toalha deixada em cima da cama, cantando beatles acompanhando a letra num encarte velho de cd arranhado. Se comunicando através de rangidos, portas batendo,  janelas trepidando..., por puro tédio. "Samaras", "Jasons", "Freddies", 'Chuckies" interfonam querendo participar.

ego = arma de destruição em massa

a - dúbio

  para as plantas não morrerem de tédio em seus minúsculos vasos-cubículos, sussurro tragédias gregas em detalhes. Logo, respondem em viço, aguardando o final de suplício de algum humano imprudente, que ousou igualar-se ao divino. "Estúpidos, eles sempre foram, mas ainda sou seu inquilino", pensa o cacto constrito em um espaço ridículo, enquanto ouve os tristes fins de heróis malditos.

dramado:

 é um gramado com dramas plantados que serve para ser pisoteado. Portanto, num dramado é bastante comum encontrar placas dizendo: "pise em toda parte"

Sou

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  empunha o verbo existir como uma arma e deixa teu dedo engatilhado toda vez que quiserem apagar-te. Atira esse verbo na cara de quem não te enxerga como tu és. Esfrega no peito do teu algoz esse infinitivo definitivo. Faça ele engolir o verbo, e engasgá-lo com a aspereza da tua existência. E em dias que te sentires em meia fase, qu ase transparente, transcende e grita: existo, apesar de!

"dica" aos jovens atores

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 semideuses não pagam conta de luz, pois já carregam luz própria. De fato, não pagam conta alguma, pois não se misturam com coisas mundanas, não se sujam com as merdas diárias. Semideuses andam nus, porque se bastam. Seus corpos são máquinas de amor e suas ideias incensadas. Semideuses querem musas élficas que chupem cana, masquem chicletes e falem a língua dos besouros. Semideuses cantam ópera chinesa. Semideuses dançam no céu, acima das nuvens  e mijam nos que consideram menores. Semideuses não organizam festas. Participam de eventos orgiásticos. Semideuses causam "semi- epifanias", pois são semi-deuses. Semideuses se aprofundam em poças d'água e tudo ao seu redor deve ser milimetricamente fora de série. E não. Semideuses não ensaiam, pois já estão em cena e suas presenças são insuperáveis. 

As receitas caseiras e seus segredos como manutenção da trajetória familiar

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  É bastante comum, em famílias espalhadas pelo país, celebrações tradicionais com encontros certos aos domingos e datas comemorativas marcantes, tais como o dia das mães. Mesas grandes ou pequenas, que sempre esperam a chegada de alguém que talvez nunca venha, mas, que terá seu lugar cativo, porque fez por merecê-lo. Os locais, escolhidos à dedo, priorizam o grau de “importância” ou de idade dos componentes convidados (incluindo primos distantes e agregados que ganharam função de familiar). Os penetras também são acolhidos com bancos improvisados e mais “água no feijão”. A fartura é oferecida sem culpa. E os menus são definitivamente, fragmentos da trajetória de cada pessoa unida por laços de parentescos, onde as receitas ganham status de tesouro, pois, levam em consideração o indivíduo e suas compreensões. Macarronada, frango assado, feijoada, arroz de forno, galinhada... uma sucessão de perfumes que recordam. Não é a toa que o senso comum afirme que o olfato é o mais mnemônico...